Especulação imobiliária sideral: planeta Terra valeria US$ 5 quatrilhões

Você, que está sendo vítima da especulação imobiliária no Brasil, precisa saber o valor do planeta em que vive: US$ 5 quatrilhões, ou cerca de 100 vezes o PIB de todos os países.

O cálculo foi feito pelo astrofísico Greg Laughlin, que levou em conta para isso as condições de habitabilidade de planetas para onde, quem sabe um dia, a humanidade possa se mudar. Os fatores vêm dos dados descobertos pela sonda Kepler sobre outros planetas.

Pelas minhas contas, a considerar só a superfície, se a Terra (511 milhões de km² , incluindo oceanos) vale tudo isso, o Brasil (8,5 milhões de km² de superfície) valeria US$ 83,2 trilhões.

Lembre que o PIB mundial, segundo o FMI, é de US$ 61,9 trilhões. O do Brasil é cerca de 3 trilhões. Demoraria anos pra poder pagar o próprio imóvel, enfim.

Mal comparando, se a sua renda familiar é de R$ 30 mil anuais (R$ 2.307 por mês), o Brasil é um imóvel que custaria R$ 832 mil. Fui ao simulador de financiamento imobiliário da Caixa Econômica Federal pra ver se dava pra comprar. Disse que era um imóvel residencial, usado. Botei que tenho 3 anos de FGTS, pra facilitar o financiamento.

Daria pra comprar via carta de crédito, mas eles só financiam R$ 49 mil do valor do imóvel em 360 meses. A entrada teria de ser de R$ 782.313 – ou, convertido para os trilhões, de US$ 78.2 trilhões. Mais do que o PIB mundial, só de entrada. Ou seja: se o Brasil fosse um imóvel, seria impossível de se comprar com o PIB atual, nem com financiamento.

Comprar, nem pensar. Mas quem curte Raul Seixas e acha que a solução é alugar o Brasil pode calcular o preço usando um critério mais ou menos comum: o preço mensal do aluguel costuma ser de até 1% do valor de venda do imóvel. Digamos, então, que o aluguel do Brasil custaria US$ 832 bilhões (R$ 1,4 trilhões) por mês, ou mais que o PIB anual de São Paulo (cerca de R$ 1 trilhão em 2008). No ano, isso dá pouco mais da metade do PIB anual dos EUA (US$ 14,6 trilhões).

Vai ser difícil alugar, parece.

***

Mas, enfim, voltemos à especulação imobiliária cósmica.

Eu tendo a achar fascinantes assuntos que tenham um pé no nerdismo. Mas também tendo a desconfiar de muitas extrapolações numéricas.

Antes de ler a entrevista do Laughlin ao Boing Boing, achei que era maluquice ou pelo menos uma tentativa desesperada de aparecer. Mas aí li detalhadamente a entrevista, olhei o que ele levou em conta, e achei a equação simplesmente fascinante:

bigequation.jpg

Esse monte de números assusta, mas Laughlin explicou tintim por tintim.

Primeiro, pega o custo da missão Kepler (US$ 600 milhões) e divide pela quantidade de planetas que podem ser encontrados (100). Ou seja: é o custo-benefício do que se gastou pra descobrir. É isso que vai permitir calcular o valor em dólares.

Aquela coisa que parece um T, dividido por meio bilhão de anos, é a idade da estrela em torno da qual o planeta gravita. Quanto mais velha, melhor, segundo Laughlin: “provavelmente  você deve se interessar mais por estrelas tão velhas quanto ou mais velhas do que o Sol, que oferecem mais tempo para os planetas desenvolverem vida”.

Multiplica isso pela relação entre a massa da estrela e a massa do planeta, elevada a um terço. Ou seja: quanto menor, melhor. “Quanto mais massiva é uma estrela, mais curta é sua existência, e menos oportunidade  ela dá ao surgimento da vida”, diz Laughlin. Outra vantagem é que estrelas menores são mais fáceis de estudar.

Aí vêm três expoentes elevados a quantidades negativas.

O primeiro (do logaritmo) busca calcular uma distribuição normal em torno da massa da Terra. Ou seja: se a Terra pode ser considerada como tendo as condições ideais para o surgimento da vida, como se distribuem as probabilidades de que valores de outros planetas permitam a vida? Quanto mais próximo do da Terra, melhor. Quanto mais afastado, mais difícil.

“Para a habitabilidade, eu acho que precisamos ser fortemente inclinados para planetas com a massa da Terra, porque realmente não sabemos muito sobre planetas cuja massa está entre a da Terra e a de Urano. Não existe nenhum no nosso sistema solar”, diz Laughlin.

O segundo expoente (o do Teff) leva em conta a quantidade de luz e calor que o planeta pode receber de sua estrela, e também gera uma curva normal em torno dos valores da Terra. Faz sentido: se for quente ou frio demais, prejudica. Se tiver luz demais ou de menos, atrapalha.

“Temos apenas um exemplo de planeta habitável, que é a Terra. Então, isto favorece planetas que são semelhantes em quantidade de energia que recebem de sua estrela. Se um planeta possivelmente ganha consideravelmente menos – como Marte – ou consideravelmente mais – como Vênus -, a equação não o trata bem”.

O terceiro expoente (o do 2009) leva em conta o tempo que levou, a partir de seu lançamento em 2009, para a Kepler descobrir o planeta. Quanto mais tempo demorar, significa que mais longe está o planeta, e portanto fica mais difícil de chegar. Mais ainda: quanto mais demora, menos novidade é. “Descobrir um planeta na zona habitável de uma estrela semelhante ao Sol no ano 2060 não tem chance de ser grande coisa”, pondera Laughlin.

O último termo, o do 2.5, verifica o quanto a estrela parece próxima da Terra, por seu brilho. E é isso que permite calcular o valor da Terra, segundo Laughlin. É ele que dá o valor da Terra para quem está aqui.

“Pense assim: se estamos sentados aqui na Terra, o nosso Sol é extraordinariamente brilhante no céu. O brilho do Sol torna esse termo enorme, se calcularmos essa equação para a Terra. Se fizermos para a Terra, temos uma resposta de cerca de 5 quatrilhões de dólares. E esse é basicamente o valor de toda a nossa infra-estrutura, acumulado ao longo da história. Essa não é uma declaração tipo ‘o homem que vendeu a Terra’, é colocar as coisas em perspectiva do outro lado. O de estar lá. Quanto vale um planeta habitável pra quem está lá? Bom, isto mostra que vale bastante.”

Pelas contas de Laughlin, Marte valeria US$ 14 mil. “É realista, no sentido que você duraria 5 segundos se pintasse lá”. O exoplaneta Gliese 581 g, descoberto em janeiro, teria um valor estimado de US$ 160. É pouco. Mas pode ser que haja planetas valendo bem mais, algo na casa dos bilhões. E talvez descobri-los faça valer a pena gastar milhões de dólares numa missão exploratória.

Um planeta que fosse descoberto na zona habitável de Alpha Centauri B, a mais próxima do sistema solar, poderia valer US$ 6 bilhões, segundo Laughlin. E ele acha que isso talvez fizesse valer a pena gastar essa grana pra ir até lá pra ver se é habitável. Quanto mais se aproxima do planeta, o valor também aumenta – vide o valor do planeta em que estamos.

Mas a mesma conta também sugere que ir a Marte – como os EUA já fizeram, com a missão Mars Rover – é um desperdício de dinheiro. Foram gastos US$ 820 milhões só na missão de 2007, por exemplo. Pra um planeta que teoricamente vale US$ 14 mil.

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2 comentários sobre “Especulação imobiliária sideral: planeta Terra valeria US$ 5 quatrilhões

  1. pk eu só encontro textos monstruosos de grandes e quando encontro algum pequeno só fala coisa nada a ver com o que eu perguntei ao google??
    pô eu pesquisei negócio de especulção imobiliaria dos estados unidos e me aparece de São Paulo
    depois me aparece negócio de culinária
    sangue do cordeiro tem poder

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