CAPAS – uma história de super-heróis, uma hipótese da vida real

Acabo de pensar um roteiro genial para uma continuação de “Watchmen“, o clássico dos quadrinhos de Alan Moore. Mas, como Moore disse que a história não vai continuar de jeito nenhum, prefiro dar outro nome à história. “CAPAS”, por exemplo, em alusão às capas usadas pelos super-heróis.

(A alternativa seria “CUECAS PRA FORA DA CALÇA”, o que é muito comprido. Fica sendo “CAPAS”, então.)

A história de “CAPAS” começa logo depois da última página do capítulo 12 de Watchmen.

Sem muita coisa para publicar, o diretor do jornal New Frontiersman pede que seu estagiário busque algum material na caixa dos malucos. São correspondências enviadas por leitores, denunciando conspirações que podem ser reais e/ou imaginárias.

Entre essas correspondências, está o diário de Rorschach. Um personagem relativamente famoso, uma subcelebridade. Que, por vários motivos, resolveu provocar a própria morte.

O editor do New Frontiersman lê o diário de Rorschach. Ele faz afirmações fortes a respeito outras celebridades até mais famosas e muito ricas – incluindo o playboy Adrian Veidt, o Ozymandias. Publicando do jeito certo, venderia pra caramba.

Só que tem um problema: Rorschach se matou. E existe um antigo tabu na imprensa a respeito da publicação de suicídios. Uma mistura de curiosidade mórbida com repulsa. Publicar “a seco” venderia muito, mas atrairia um vagalhão de críticas contra o New Frontiersman pela falta de tato em explorar o drama de um suicida. Como repelir as críticas?

O editor liga para seu advogado para conversar sobre o caso. O advogado lembra que existe uma liminar impetrada por Ozymandias, por conta de uma outra questão (possivelmente de sua vida pessoal), que proíbe o New Frontiersman de publicar o nome Adrian Veidt.

Uma sacada genial brilha na cabeça do editor do New Frontiersman: “E$TAMO$ CEN$URADO$!!!!!!” Só precisa chamar a atenção para o assunto.

Imediatamente, o New Frontiersman emite uma nota para todos os veículos de imprensa dizendo que a próxima edição vai sair com uma tarja preta na capa, porque o jornal está censurado por um empresário poderoso.

TODOS PUBLICA. Durante dois dias, só se fala nisso no Twitter. Bom, em 1985 não tinha Twitter. Mas durante dois dias só se fala nisso. O New Frontiersman foi censurado!

***

Mesmo nos quadrinhos existem entidades de proteção a jornalistas. E essas entidades se preocupam quando um meio de comunicação, por sensacionalista que seja, é censurado. Algumas saem em solidariedade imediata. Outras tentam apurar o caso.

E são essas que começam a suspeitar que existe algo errado.

Não adianta ligar para a editora do New Frontiersman. Eles deram dois dias de folga para seus funcionários entre o anúncio da censura e a chegada da edição às bancas.

Não deu resultados a pesquisa por processo aberto recentemente contra a editora do New Frontiersman que pudesse gerar uma liminar. Todos são antigos.

Que raio está acontecendo?

***

A edição “censurada” do New Frontiersman chega às bancas, com uma foto grande de Rorschach na capa. Na chamada, a tarja preta cobre apenas um nome. É possível distinguir as pontas das letras “A”, “d”, “V” e “t”. Mas nem precisa, porque todo mundo já sabe quem é o empresário que teria censurado o jornal. Só quem não pode publicar seu nome, enfim, é o New Frontiersman.

Por estar censurada, a edição esgota muito rápido. Na banca do jornaleiro de boina, ela não durou uma hora. Nem o adolescente que fila revistas de pirata conseguiu lê-la. Entre um e outro gole de café, o jornaleiro de boina pondera:

— Eu sou jornaleiro, eu sei como são essas coisas. Eles não suportam a verdade. Mas tamos aí pra isso: já vendi tudo e tem mais 50 pedidos esperando.

Sucesso absoluto de vendas.

***

A história de “CAPAS” podia acontecer na vida real. Especialmente no Brasil.

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3 comentários sobre “CAPAS – uma história de super-heróis, uma hipótese da vida real

  1. Genial!!! Brilhante analogia!!!

    Não sei se todo mundo que leu ou vai ler pegou o espírito… mas eu pelo menos achei um perfeito exemplo de como a ficção nem sempre consegue igualar a fantasia da realidade!!!… está na CARA, não?… ; – )

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