Quem morre de overdose no Brasil?

Amy Winehouse

Por conta da morte de Amy Winehouse, sob suspeita de overdose, o Datablog do Guardian avaliou como são as mortes por drogas no Reino Unido. As estatísticas de lá vão até 2008. Elas vêm de um estudo específico do National Health Service (o “SUS” britânico) sobre abuso de drogas.

No Brasil, dados do gênero são coletados pelo Datasus, serviço de estatísticas do Ministério da Saúde. Seu buscador não é muito amigável: para encontrar estatísticas lá, é preciso ter alguma ideia de como organizar uma planilha e de como interpretar o vocabulário técnico. “Morbidade”, por exemplo, é incidência de doenças. Também é preciso “brigar” um pouco com a Classificação Internacional de Doenças (CID), para encontrar o que se deseja.

Filtrei os dados do Datasus para obter os óbitos, por Estado, nas categorias “Envenenamento por drogas e substâncias biológicas” e “Efeitos tóxicos de substâncias de origem principal não-medicinal”. Estou ciente de que isso inclui outras coisas que não drogas. Por exemplo, no primeiro, podem estar as mortes por excesso de medicamentos; no segundo, podem estar mortes por conta de substâncias usadas no trabalho, em algumas profissões. Outras mortes causadas por tóxicos podem estar com outras classificações, ou até mesmo em algo como “causa desconhecida”.

Em 2010 o Acre foi o Estado onde mais morreu gente, proporcionalmente, por essas causas. Foram 2,18 mortes para cada 100 mil habitantes. Em comparação, São Paulo teve 0,46 mortes por 100 mil. Veja os dados por Estado, desde 1998, nesta planilha.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DELA
Sobre Amy Winehouse em si, tenho pouco a dizer. Sua voz era boa, mas o personagem não me agradava. Nunca parei para prestar atenção em seu trabalho, portanto. Há alguns anos, no auge do seu pé na jaca, cheguei a incluir seu nome nos meus filtros de palavras bloqueadas nos meus feeds de RSS, junto com Big Brother e suas variações.

Recentemente, porém, assisti a um documentário que pode iluminar um pouco o que levou a cantora a perder todos os limites. Trata-se de Phoenix Rising, que conta a história da última formação do Deep Purple nos anos 70. Resenhei aqui. Dois membros da minha banda favorita de todos os tempos, ambos talentosíssimos, calçaram botas de jaca e arrastaram o grupo para um final trágico. Esse final incluiu chifre, drogas, roquenrôu de qualidade decadente, um funcionário possivelmente assassinado e, após o fim da banda, morte de um músico por overdose.

Um desses dois membros, o guitarrista Tommy Bolin, morreu de overdose em 1976. O outro, o baixista e vocalista Glenn Hughes, sobreviveu de maneira precária, amargando a irrelevância durante décadas. Só parece estar se reerguendo agora, depois dos 60 anos, após ralar muito. E ainda assim tem umas manias meio chatas, tipo contar no Twitter quando faz colonoscopia. É pungente e muito sincero o depoimento dele no documentário. Hughes, que lutou muito contra o vício, postou isto no Twitter ao saber da morte:

So sad to hear the news of Soul Sister Amy Winehouse…my heart goes out to her family…Addiction is cunning, baffling ansd Powerful…GH

Ainda que você não tenha o menor interesse pelo Deep Purple, recomendo esse documentário. Ele diz muito sobre a história da música, a lógica da celebridade e a natureza humana.

Amy Winehouse podia ter o destino do Glenn Hughes ou o do Tommy Bolin (Keith Richards só tem um). Com a moeda tendo caído do lado Bolin, é mais fácil que se torne uma lenda entre os fãs. Não precisará, depois de já coroa, girar o mundo cantando seus sucessos da juventude em bares pequenos. Lucro garantido – embora não para ela.

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2 comentários sobre “Quem morre de overdose no Brasil?

  1. poxa, marcelitcho, mas v podia ter dado uma chance e chegado perto da música. eu gosto muito, é meu estilo. mas se seu estilo vai pelo lado deep purple, q eu acho ´música d branco ´ (olha o preconceito: leia-se heavy metal ´meio light´) não ia ter curiosidade pela música da doidiinha mesmo.
    pois é, os dois membros da banda eram doidões e mesmo assim v gosta da música deles. dá p separar, né?
    tô seguindo teu blog!!!
    bjs

    1. Era mais por não fazer meu gênero mesmo, mas nas vezes em que ouvi até achei razoável. O meu problema era com a personagem mesmo.
      Mas não sei se eu não teria a mesma reação com o Deep Purple caso eu já fosse nascido e ouvidor de rock em 1976, e houvesse então um ambiente jornalístico de cobertura de celebridades que privilegia a vida à obra.

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