Onde fica a linha da pobreza?

Hoje, uma CPI do Parlamento sueco divulgou seus dados de pobreza. Mas o que é ser pobre na Suécia?

Lá, como no Reino Unido, um domicílio pobre é aquele cuja renda corresponde a 60% da renda mediana dos domicílios do país. A mediana é aquele valor que fica exatamente no meio se você coloca todos os valores numa pilha. Metade das casas é mais pobre que a mediana, metade das casas é mais rica. Na Suécia, 60% da mediana da renda é 10.682 coroas suecas mensais, ou US$ 1.586.

Ou R$ 2.829,52, que equivalem a mais de cinco salários mínimos brasileiros. Doze por cento dos suecos vivem com essa renda ou menos.

O aluguel mensal de um apartamento de dois dormitórios num bairro não muito central de Malmö, uma charmosa cidade no sul do país, custa 5 mil coroas suecas por mês (R$ 1.324,43). Isso custa 46% da renda de uma família considerada pobre na Suécia. Não é um bairro considerado pobre, mas fica a 15 minutos de ônibus do centro.

A linha da pobreza depende do grau de desigualdade de onde você está.

No Brasil, para entrar no Bolsa Família, uma família precisa ter renda menor que R$ 140 por pessoa. Se a única renda for um salário mínimo (R$ 545) é preciso ter quatro pessoas morando na casa. Pai, mãe e dois filhos já serve. Vive-se bastante mal dessa maneira.

Outra forma de definir isso é pelos estratos de classe social. Uma família pobre é uma família que não tem renda suficiente para ser de classe média – cujo primeiro degrau é a hoje badalada classe C. A Fundação Getúlio Vargas, usando dados do IBGE, definiu que essa classe começa a partir de uma renda familiar de R$ 1.200 mensais. Ou seja: pouco mais de dois salários mínimos. Numa família de quatro pessoas, isso dá R$ 300 por pessoa. Para quem precisa pagar aluguel, ainda mais em São Paulo, é pouco também.

Um terço dos brasileiros vivem com menos de R$ 1.200 mensais.

Segundo o Secovi, em janeiro o aluguel de um imóvel apenas regular de dois dormitórios na “zona B” da zona leste de São Paulo custava no mínimo R$ 11,14 por metro quadrado. É bastante longe do centro, e quem for se locomover de ônibus leva muito tempo para chegar. Digamos que o apartamento tivesse 70 metros quadrados. É apertado, mas não é incomum. O aluguel desse apartamento, segundo o Secovi, custaria quase R$ 780 mensais – ou 65% da renda de uma família abaixo da classe C.

Para tentar entender como funcionam essas desigualdades, gosto de prestar atenção nos vídeos do professor de saúde pública sueco Hans Rosling. Veja se não dá o que pensar.